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    Sá foi top 60 do ranking da ATP em simples e chegou ao posto de 17º melhor atleta do mundo em duplas

André Sá: "Federer não vai jogar para sempre"

Diretor da Tennis Australia conta desafios de fazer torneio sem suíço e legado para Melo e Soares
Por: Redação - 06/11/2019 19:04:24
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Presente em Curitiba para discutir futuros projetos para a modalidade na cidade, o Diretor de Relações com os Jogadores da Tennis Australia, André Sá, contou em entrevista a Amo Esportes, nesta quarta-feira (6), como está sendo o desafio de colocar a ATP Cup dentro do circuito.

O torneio de seleções será realizado pela primeira vez em janeiro de 2020 e não contará com a presença de Roger Federer, que decidiu alongar suas férias com a família nas semanas iniciais do próximo ano.

“Nosso pensamento é que ele não vai jogar para sempre. Então essa é uma oportunidade para fazermos um evento funcionar sem a presença do Federer. É um desafio maior, com certeza, mas é algo que temos que correr atrás”, explicou Sá.

Antes do cargo diretivo na Austrália, Sá foi um tenista top 60 em simples e chegou ao posto de 17º melhor atleta do mundo em duplas. O mineiro chegou a uma semifinal de Wimbledon ao lado de Marcelo Melo.

Confira abaixo a entrevista completa com Sá:

Trabalho para colocar a ATP Cup no circuito

O CEO da ATP (Chris Kermode) sempre quis fazer esse evento por equipes. Ele criou o evento e disse que a melhor época do ano para se fazer seria na primeira semana do ano.

Para a Tennis Australia esse evento não podia ir para a outra região, mesmo com oferta de outras cidades como Singapura, Doha e Abu-Dhabi. Mas por ser o único Grand Slam da temporada com apenas duas semanas antes de chegar o torneio, precisamos que todos os melhores do mundo estejam por aqui.

A Tennis Australia fez a oferta e acabou levando. Então juntamos a Hopman Cup, o Brisbane Internacional e o Sydney Internacional para dar lugar a ATP Cup. Mas mantivemos as cidades para a disputa: Perth, Brisbane e Sydney.

As três cidades vão receber os jogos da fase de grupos, enquanto Sydney vai ficar com os jogos de quartas de final, semifinal e final. São 24 países e os melhores jogadores do mundo. É algo novo e inovador, sendo que a Tennis Australia sempre gosta de trazer coisas novas. O evento tem parceria com a ATP, sendo o primeiro evento que a associação é dona e, por consequência, os jogadores também são donos, em uma parceria de 50 a 50 por cento.

Mas o que mais deu certo foi o comprometimento de quase todos os jogadores, até pela premiação alta de US$ 15 milhões, os até 750 pontos no ranking da ATP, o torneio já ser na Austrália e cada tenista fazer no mínimo de três jogos na fase de grupos para usar como preparação para o Grand Slam, e também defender o seu país em competição. Esses são cinco argumentos fortes que trouxeram a maioria dos jogadores.

Transição jogador para técnico

Aposentei há quase dois anos atrás e já comecei a trabalhar como treinador do Thomaz (Bellucci). Então a transição foi quase inexistente, porque eu continuei quase dentro da quadra e viajando os torneios com ele.

A gente ficou quase um ano juntos, 11 meses de uma experiência boa. Algo que foi novo para mim e que todo mundo acha que essa transição de jogador para treinador é muito fácil, mas não é. Você começa a descobrir que para ser um bom treinador, não necessariamente você precisa saber jogar.

Carreira como executivo

No mesmo período em que treinava o Thomaz, eu também fui contratado pela ITF (Federação Internacional de Tênis, em português), que estava fazendo as mudanças para a nova Copa Davis, no qual eles mudaram o formato estilo Copa do Mundo. e precisavam de alguém para fazer uma comunicação maior dentro dos vestiários.

A ideia surgiu e a oportunidade era boa e eu tenho contato muito bom dentro do vestiário. Assim como no caso do Thomaz, eu assinei um contrato de um ano, que foi até fevereiro deste ano e foi quando apareceu esta oportunidade com a Tennis Australia.

Inicialmente a ideia era trabalhar apenas meio período, mas a Tennis Australia me ofereceu algo full time. E era exatamente o que eu estava procurando. Eu faço a conexão entre o escritório e os vestiários nos eventos da organização: A Laver Cup, Aberto da Austrália, ATP 250 de Adelaide e a ATP Cup.

Algo fantástico é que tudo isso fez com que minha transição fosse super-tranquila, porque eu continuei dentro do tênis, continuei frequentando o ambiente do tênis, só que agora de uma maneira mais corporativa. O que é uma oportunidade incrível para crescer profissionalmente.

Eu tive 22 anos dentro da quadra e agora, eu até brinco, comecei a ser juvenil, no meu primeiro ano como executivo.

Está sendo uma experiencia incrível, dentro da organização existem diversas pessoas muito competentes que estão me ajudando no aprendizado e minha curva de aprendizado vai ser muito rápida, então tenho só coisas boas e positivas para falar dessa transição.

Duplistas mineiros e legado para Bruno Soares e Marcelo Melo

Não existe uma fórmula mágica. A gente brinca que é o pão de queijo, mas não sei se comer muito pão de queijo vai ajudar a chegar às cabeças nas duplas.

Mas é uma questão de cultura. Eu sou cinco, seis anos mais velho que eles. Eu joguei simples até os 31, 32 anos e nos últimos nove, dez anos eu me dediquei às duplas e foi quando eles começaram a ver essa opção de jogar somente as duplas.

Eu já estava no circuito a algum tempo e o Marcelo veio e me disse “André vamos tentar jogar junto, eu estou focado só nas duplas”. Quando veio isso eu ainda estava preocupado um pouco com a simples, mas falei tá beleza, vamos jogar alguns torneios e ver como a gente encaixa.

As coisas foram dando certo, começamos jogando challengers, fomos ganhando e ganhando. Depois ATP Tour e Grand Slam, primeiro Wimbledon que ele jogou a gente fez semifinal, então as coisas foram acontecendo super-rápido e acabou abrindo a porta e a cabeça do Bruno também.

Ele ficou parado dois anos, comuma lesão muito séria no joelho. Quando ele voltou, eu estava jogando com o Marcelo, teve uma Copa Davis em Belo Horizonte. Naquela oportunidade eu não joguei com o Marcelo, eu sim com o Guga.

Mas o Bruno estava lá, tentando voltar. Eu falei, cara, obviamente é uma opção. E depois dessa minha presença no circuito, eu facilitei muito a entrada deles. Mas depois disso eles tomaram as rédeas e chegaram aonde chegaram.

Campeões de Grand Slam, Marcelo número 1 do mundo, Bruno foi número dois. Marcelo se classificou para a sétima, oitava vez consecutiva ao Finals, o Bruno também está tendo uma fase excepcional.

Eles estão fazendo a carreira deles, aproveitando o momento deles nas duplas e isso acaba criando uma opção. Porque muitas vezes o caminho da simples é super-complicado. O tênis é um esporte extremamente competitivo, que não dá para ser normal. Você tem que ser acima da curva se você quer chegar aonde os melhores do mundo estão.

As duplas pelo menos criam uma outra oportunidade. De repente não sendo tão competitivo e forte na parte física e mental, mas também é um caminho para ser ter uma boa carreira, para se ganhar a vida, para conseguir objetivos diferentes de Grand Slam, como a Copa Davis ou a medalha de ouro em Olimpíada.

É um caminho que está ali, não é a avenida principal, mas é um atalho que dá para você ser bem-sucedido no esporte.

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